As vendas no comércio brasileiro registraram um recuo de 0,1% de maio para junho, marcando o terceiro mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados. Este desempenho negativo, somado às retrações de 0,4% em maio e 0,3% em abril, representa um declínio de 0,8% em relação ao pico histórico alcançado em março deste ano, o ponto mais alto da série histórica iniciada no ano 2000.
Apesar do recuo recente, o comércio brasileiro ainda acumula uma expansão de 1,8% no primeiro semestre do ano. Em um horizonte de 12 meses, o crescimento é de 2,7%. Comparando junho deste ano com o mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 0,3%.
O movimento de queda lenta nos últimos meses é atribuído à diminuição do crédito, influenciada pela alta taxa de juros, e pela persistência da inflação. A inflação oficial, ao longo do primeiro semestre, superou a meta estabelecida pelo governo, o que levou o Banco Central a adotar medidas para conter o aumento generalizado de preços, impactando a atividade econômica.
Apesar desse cenário, o mercado de trabalho apresenta indicadores positivos, como o nível de emprego e renda, que impulsionam o consumo. Em junho, a taxa de desemprego atingiu 5,8%, o menor patamar já registrado desde o início da série histórica em 2012, acompanhado por um recorde no rendimento do trabalhador.
Entre as oito atividades pesquisadas, cinco apresentaram retração de maio para junho: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%); livros, jornais, revistas e papelaria (-1,5%); móveis e eletrodomésticos (-1,2%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,9%); e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,5%).
Os segmentos que registraram crescimento foram: outros artigos de uso pessoal e doméstico (1%); tecidos, vestuário e calçados (0,5%); e combustíveis e lubrificantes (0,3%).
No comércio varejista ampliado, que inclui atividades de atacado, como veículos, motos, partes e peças, material de construção e produtos alimentícios, bebidas e fumo, o indicador recuou 2,5% de maio para junho, com expansão de 2% no acumulado de 12 meses.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br