Autoras indígenas e da Amazônia ganharam destaque na 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A programação especial, realizada no Sesc Santa Rita, evidenciou a produção literária de mulheres que têm transformado o cenário editorial e cultural.
Entre os nomes de destaque está a escritora indígena Sony Ferseck, do povo Macuxi, professora, poeta e cofundadora da Wei Editora. Em 2019, Sony fundou a primeira editora independente de Roraima, dedicada à publicação de autores indígenas e obras bilíngues. Durante sua participação na mesa “Pluralidades editoriais e a criação literária”, Sony enfatizou a importância de oferecer a oportunidade para que os anciãos indígenas publiquem suas histórias e conhecimentos tradicionais, destacando o poder da literatura para todos. Seu livro “Weiyamî: mulheres que fazem sol” (2022) foi semifinalista do 65º Prêmio Jabuti.
Sony relatou as dificuldades enfrentadas para publicar em Roraima, devido à escassez de matéria-prima e de iniciativas no mercado editorial. Ela mencionou o projeto Panton Pia’, onde ouvia os mais velhos contarem suas histórias de vida e conhecimentos tradicionais. Essa experiência a motivou a fundar a Wei Editora para que essas histórias pudessem circular e os indígenas se reconhecessem como autores. A escritora destacou que as obras são transcrições de histórias orais, produzidas pelos membros mais velhos da comunidade que não têm o português como primeira língua e não escrevem em computadores.
A escritora ainda comemorou a possibilidade de reimpressões sob demanda, que permite que as obras de autores independentes circulem e cheguem cada vez mais longe. Sony acredita na literatura e na arte como ferramentas que ressignificam rotas de vida, promovem mudanças e quebram ciclos de violência e silenciamento.
A programação da Flip também contou com a participação de outras vozes da Amazônia, como a poeta acreana Francis Mary, que apresentou poemas em defesa da floresta, da democracia e dos povos da Amazônia. A artista Paty Wolff, de Cacoal (RO), promoveu a união entre artes visuais e literatura no evento “Narrativas visuais para todas as idades”. Encerrando a programação, a multiartista Aliã Wamiri Guajajara participou da palestra “Tecnologias do encantamento: entre o artesanal e o digital”, avaliando a Flip como um lugar de afirmação importante para a literatura indígena.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br