Evento em Brasília reúne 5 mil mulheres indígenas que pedem proteção

Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

Em Brasília, cerca de 5 mil mulheres indígenas de diferentes regiões do Brasil se reuniram para a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. O evento, que começou na noite de segunda-feira, tem como objetivo ser um espaço de denúncia e compartilhamento dos desafios enfrentados pelas comunidades indígenas em todo o país.

Para muitas participantes, como a matriarca Pangroti Kayapó, de 60 anos, e sua neta Nhaikapep, de 22, a conferência representa uma oportunidade crucial para mostrar ao país o impacto do garimpo ilegal e outras ameaças em suas comunidades. Pangroti, que viajou mais de 32 horas de São Félix do Xingu (AM), expressou a necessidade de proteção para a natureza, o ambiente e a cultura indígena. Nhaikapep, traduzindo a avó, destacou a contaminação dos rios Fresco, Iriri e Xingu por metais.

Cinco ministras de Estado participaram da abertura do evento: Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Márcia Lopes (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania). Durante seus discursos, abordaram os esforços e políticas de proteção às mulheres indígenas, bem como o Projeto de Lei 2.159/21, que flexibiliza o licenciamento ambiental no Brasil, gerando preocupações entre povos indígenas e ambientalistas.

Sônia Guajajara enfatizou a importância da resistência e a necessidade de políticas públicas de proteção às mulheres indígenas, que enfrentam racismo, machismo e violência em seus territórios. Ela anunciou a intenção de formar um grupo de trabalho interministerial para elaborar estratégias de proteção.

A presidente da Funai, Joênia Wapichana, defendeu o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres indígenas no planejamento orçamentário. Marina Silva, por sua vez, destacou as ações do governo federal na desintrusão de invasores de terras indígenas e reconheceu que as mulheres indígenas são as mais prejudicadas pelas mudanças climáticas. Ela também criticou líderes estrangeiros que não apoiam ações ambientais brasileiras e o ex-presidente Jair Bolsonaro por sua postura contrária à demarcação de terras indígenas.

Soraya Kaingang, moradora da Aldeia Apucaraninha, viajou de Londrina (PR) para participar da conferência e expressou sua preocupação com a exposição das crianças aos agrotóxicos utilizados pelos produtores rurais. Para ela, o evento é uma forma de compartilhar as histórias e desafios enfrentados por sua comunidade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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