Em Nova York, o Brasil lidera discussões sobre novas estratégias de financiamento climático, em um evento de alto nível durante a 80ª Assembleia Geral da ONU. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral da ONU, António Guterres, conduzem um diálogo focado no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa ambiciosa para remunerar países pela conservação de suas florestas tropicais.
A proposta brasileira inclui também a criação de uma coalizão de mercados de crédito de carbono, que atuará em sinergia com o TFFF, incentivando a preservação e a captura de gases do efeito estufa.
O TFFF busca um aporte inicial de US$ 25 bilhões de países investidores até a COP30 em Belém. O objetivo é alavancar US$ 100 bilhões adicionais do setor privado nos próximos anos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o fundo operará com lógica de mercado, impulsionando investimentos privados através de recursos públicos. Estima-se que, para cada dólar investido pelos países, quatro dólares sejam mobilizados do setor privado.
Os recursos do fundo garantirão um repasse de US$ 4 bilhões por hectare de floresta tropical preservada. Até 74 países poderão se beneficiar, desde que comprovem a conservação das florestas através de monitoramento via satélite e destinem 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades tradicionais.
O TFFF, idealizado pelo governo brasileiro e lançado em 2023, já conta com o apoio de países com florestas tropicais como Colômbia, Gana, República Democrática do Congo, Indonésia e Malásia. Alemanha, Emirados Árabes Unidos, França, Noruega e Reino Unido também demonstraram interesse em investir no fundo.
Os diálogos em Nova York incluem debates sobre mitigação, adaptação, financiamento e integridade da informação. As recomendações serão apresentadas em um relatório final na quarta-feira, com orientações para a COP30.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br