O setor público consolidado do Brasil, englobando União, estados, municípios e estatais, registrou um déficit de R$ 66,6 bilhões em julho, conforme dados divulgados. Este é o segundo pior resultado para o mês, superado apenas pelo desempenho de julho de 2020, período marcado pelo auge da pandemia de Covid-19. O principal fator que influenciou negativamente as contas públicas foi o pagamento expressivo de precatórios.
O déficit primário de julho se distribuiu da seguinte forma: o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) apresentou um déficit de R$ 56,4 bilhões, os Governos Regionais (estados e municípios) registraram R$ 8,1 bilhões de déficit, e as empresas estatais, R$ 2,1 bilhões.
Comparativamente, em julho do ano anterior, o déficit primário havia sido de R$ 21,3 bilhões. O Tesouro Nacional atribuiu o resultado negativo à concentração de pagamentos de precatórios, que totalizaram R$ 62,78 bilhões no mês. Em 2024, esses pagamentos foram realizados em fevereiro.
O déficit primário acumulado nos sete primeiros meses do ano atingiu R$ 44,5 bilhões, equivalente a 0,61% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do resultado negativo, houve uma melhora em relação ao mesmo período de 2024, quando o déficit foi de R$ 64,7 bilhões (0,97% do PIB).
Entretanto, no acumulado dos últimos 12 meses, o cenário se reverteu, com o déficit atingindo R$ 27,3 bilhões, ou 0,22% do PIB, contrastando com o superávit de R$ 17,9 bilhões registrado em junho. O governo tem como meta zerar o déficit nas contas públicas em 2025, dentro do arcabouço fiscal que permite um déficit de até 0,25% do PIB.
Ao incluir os juros da dívida pública, o déficit nominal de julho alcançou R$ 175,6 bilhões, totalizando R$ 968,5 bilhões em 12 meses, equivalentes a 7,86% do PIB. A dívida bruta do governo geral atingiu 77,6% do PIB, representando R$ 9,6 trilhões.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br