Crise Climática Ameaça Tradição Cerâmica Milenar do Povo Waurá no Xingu

Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

No coração do Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, o povo Waurá enfrenta um desafio que ameaça sua identidade cultural: a crise climática. Uma tradição ancestral, transmitida por gerações e baseada na arte da cerâmica, está sob risco devido às mudanças ambientais que afetam diretamente a disponibilidade de recursos essenciais.

A cerâmica Waurá é mais do que um artesanato; é um elemento central da cultura. A história conta que a arte cerâmica foi ensinada ao povo por uma entidade mítica, a cobra-canoa Kamalu-hái, que trouxe consigo os primeiros artefatos e ensinou a modelagem do barro. Desde então, a produção de cerâmica, que varia de pequenos potes a grandes panelas, tem sido usada para o preparo de alimentos, rituais e decoração.

O processo de fabricação é artesanal, exigindo habilidade e conhecimento transmitido de geração em geração, principalmente pelas mulheres. O barro é coletado no leito do rio e misturado com o cauxi, uma esponja de água doce essencial para dar liga ao barro e evitar rachaduras. Após a modelagem, as peças secam ao sol, são raspadas, lixadas, polidas e, finalmente, queimadas ao ar livre, antes de receberem a pintura característica com grafismos naturais.

No entanto, as secas prolongadas e as cheias irregulares têm diminuído drasticamente a quantidade de cauxi disponível, colocando em risco a produção das cerâmicas. Yakuwipu Waurá, liderança indígena, ceramista e professora, relata que, desde 2020, a mudança climática tem impactado a produção do cauxi, impedindo seu crescimento adequado devido à redução do período de cheias dos rios.

A falta de cauxi não apenas interrompe a produção de peças artesanais, como também obriga a busca por alternativas mais distantes, elevando os custos e dificultando o trabalho. A crise climática, que também afeta a produção de alimentos como mandioca e milho, ameaça a autonomia econômica das mulheres Waurá e a transmissão cultural para as novas gerações.

Em São Paulo, ceramistas Waurá alertaram sobre o impacto das mudanças climáticas na identidade e tradição dos povos indígenas. Eles ressaltam que a perda da produção de cerâmica afeta diretamente sua cultura e renda, já que cada peça representa suas histórias e memórias, conectando o passado, o presente e o futuro.

Diante desse cenário, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada em Belém, ganha ainda mais importância. Lideranças indígenas clamam por serem ouvidas e exigem que as autoridades respeitem o rio e a floresta, buscando soluções para mitigar os impactos ambientais e preservar a cultura dos povos originários. A esperança reside na participação ativa dos indígenas na COP 30 e na conscientização global sobre a necessidade de proteger o meio ambiente e as tradições ancestrais.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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