IA: Nova Bolha ou Oportunidade Duradoura como a Era das Ferrovias?

Crédito: www.foxbusiness.com

O entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) no mercado financeiro tem levantado comparações com a euforia da bolha “.com” do final dos anos 90. Naquela época, empresas com um simples endereço na internet conseguiam captar milhões e ver suas ações dispararem. Investidores acreditavam que a internet mudaria tudo, o que de fato aconteceu, mas o período entre 2000 e 2002 foi marcado por um colapso, com o índice Nasdaq perdendo quase 80% do seu valor.

Hoje, a IA domina as manchetes e alimenta o otimismo dos investidores, reacendendo o temor de uma nova bolha. Existem similaridades: assim como no passado, empresas avaliadas em patamares astronômicos com planos de negócios superficiais, agora a IA é vista como uma tecnologia transformadora, capaz de revolucionar diversos setores.

Outra semelhança reside na concentração do mercado. Em 1999, empresas como Cisco e Intel eram os ícones do boom. Atualmente, um grupo seleto de grandes empresas – Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Tesla e Nvidia – representa uma parcela significativa do índice S&P 500. A capitalização de mercado das 10 maiores ações do S&P 500 corresponde a quase 40% do índice, o que representa um risco caso essas companhias tropecem.

No entanto, existem diferenças importantes. As avaliações atuais, embora elevadas, não atingem os níveis absurdos de 1999. Naquela época, a relação preço/lucro (P/L) do S&P 500 era superior a 25, e muitas empresas da internet não apresentavam lucros. Hoje, a relação P/L do S&P 500 gira em torno de 21, acima da média histórica, mas longe dos números da bolha “.com”. As empresas que lideram o mercado atualmente são altamente lucrativas e geram fluxo de caixa significativo.

Além disso, as empresas líderes não são startups especulativas com modelos de negócios não comprovados. Empresas como Apple, Microsoft e Alphabet são gigantes com balanços sólidos e décadas de lucratividade consistente. A Nvidia, por exemplo, vende produtos reais com alta demanda.

A IA tem potencial para impulsionar a produtividade, reduzir custos e criar novas indústrias, mas os mercados tendem a superestimar a velocidade de adoção. O risco reside na rapidez com que os investidores acreditam que essa transformação ocorrerá. As tecnologias transformadoras frequentemente passam por ciclos de euforia e correção.

Embora a volatilidade seja inevitável e algumas ações de empresas de IA possam sofrer correções, um colapso generalizado do mercado como o ocorrido entre 2000 e 2002 parece improvável. Uma comparação mais adequada seria com o boom das ferrovias no século XIX. As ferrovias transformaram a economia, e muitas empresas faliram ao longo do caminho, mas a infraestrutura criada impulsionou o crescimento por mais de um século. A IA pode seguir um caminho semelhante, com desafios nos primeiros anos, mas com um impacto transformador a longo prazo.

Fonte: www.foxbusiness.com

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